A corrupção nos sistemas de saúde de todo o mundo priva milhões de pessoas de cuidados médicos essenciais e contribui para a propagação de doenças fatais resistentes aos medicamentos – como a SIDA –, denuncia o Relatório Global sobre Corrupção 2006.
“O preço da corrupção no sistema de saúde é pago pelo sofrimento humano,” denuncia o relatório da Transparency International, a que Deutsche Presse-Agentur teve acesso. “A corrupção pode contribuir directamente para a infecção quando as medidas para o baixo-custo, como as agulhas esterilizadas e triagem das dádivas de sangue, não podem ser realizadas”, continua.
Enquanto a comunidade global tem respondido contra a SIDA – aumentando o suporte financeiro – o esforço não será eficaz a não ser que a corrupção seja reprimida, completa a relatório.
A Transparency International alega mesmo que alguns ministros e outros membros relacionados com a SIDA estão a “roubar dinheiro” destinado aos cuidados de saúde a doentes com SIDA.
Cita, por exemplo, a Costa Rica, onde quase 20 por cento de um empréstimo internacional para o equipamento sanitário do país no valor de 33 milhões de euros "desapareceram em cofres privados"; ou o Camboja, onde alguns indicadores de saúde pioraram "devido, em parte, a desvios dos fundos governamentais para a saúde", cinco por cento dos quais nunca chegam a sair do Governo central.
Ainda o Quénia, onde a Comissão Nacional de Luta Contra a Sida foi "transformada em galinha dos ovos de ouro e explorada por altos funcionários" para seu exclusivo benefício, através de "organizações fantoche" especialmente criadas para desviar os fundos canalizados pela comunidade internacional para a luta contra a doença.
Em vários países, acrescenta, os prestadores de cuidados médicos exigem o pagamento de serviços que, por lei, são gratuitos. É o caso da Bulgária e de "quase todos os países do sudeste da Europa" onde, segundo o relatório, é frequente os médicos receberem pagamentos informais ou presentes pelos seus serviços, ou das Filipinas, onde um aumento de dez por cento dos casos de extorsão pelo pessoal médico nos últimos anos reduziu em até 20 por cento a taxa de vacinação das crianças.
O relatório adverte, por outro lado, que a corrupção estimula um lucrativo tráfico de medicamentos falsificados e mina o combate a doenças como a Sida, ao impedir a distribuição de agulhas esterilizadas ou a análise do sangue proveniente de dadores, porque a distribuição ou desvio ilegais esgotam os produtos armazenados.